
PRESENTES
lisieux
Dei-te, meu amor
não os meus primeiros
e inocentes
anos de adolescente.
Não te dei também
meus beijos inexperientes,
nem os maravilhosos,
coloridos, planos
de minha mente...
Dei-te, ao contrário,
muitos desenganos
acumulados,
no meu dia-a-dia,
dolorosamente...
Dei-te maduros anos,
orvalhados,
dei-te o cair das folhas
outonais...
dei-te o sopro
da aragem matutina,
a minha alma pura,
cristalina
e dei-te, amado,
muito, muito mais...
Dei-te o ocaso
das minhas primaveras
as minhas doces
lembranças
e quimeras
as desbotadas sombras
dos meus dias
E finalmente,
dei-te, sem pesar,
cada minuto
das horas de prazer
o alvorecer
sereno
depois das noites
de supremo amor.
Dei-te momentos de riso,
e de alegria,
o meu abraço,
minha companhia...
o meu consolo
para o teu sofrer...
E dei-te a última,
sonora melodia,
que entoou o violão
plangente,
que agora jaz calado
eternamente...
BH – 08.08.04
Escrito por lisieux às 17h31
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VÉSPERA
lisieux
Já às vésperas de tua vinda eu me inauguro, no esplendor de um amor maduro, concretizado em séculos de espera. Já às vésperas de tua chegada, eu refloresço... estremeço os meus galhos, cubro o solo de pétalas, tapete colorido, estendido à tua passagem... Já as vésperas do teu beijo, eu me preparo: solto o desejo, aguardando o raro momento da entrega.
Às vésperas da tua luz, dissipo as trevas... porque o teu olhar sempre me leva, a um novo despertar, nova esperança. E às vésperas do amor, em paz, me dispo... de coisas fúteis, mesquinhez, de orgulho.
E no teu corpo, sem temor, mergulho a fim de renovar a minha vida.
BH - 20.03.05
Escrito por lisieux às 18h38
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